Levantamento inédito revela que 83% são migrantes, 76% desejam sair das ruas e apenas 8% dizem não usar drogas ou álcool.

Foto: PMFI/Divulgação

Foz do Iguaçu divulgou nesta quarta-feira (20) os dados finais do primeiro Censo da População em Situação de Rua já realizado no município. O levantamento identificou ao menos 601 pessoas vivendo nas ruas da cidade e revelou um cenário marcado pela vulnerabilidade social, dependência química, migração e ruptura familiar.

Os números foram apresentados no auditório da Estação Cultural Haroldo Alvarenga e vão servir de base para a criação e ampliação de políticas públicas voltadas ao atendimento dessa população.

O estudo foi realizado entre os dias 19 e 31 de agosto de 2025 e mostrou que o número de pessoas em situação de rua é 40% menor do que os 1.004 registros apontados anteriormente pelo Cadastro Único (CadÚnico).

Entre os principais dados levantados pelo censo estão:

601 pessoas vivem em situação de rua em Foz do Iguaçu; 83,12% são homens; 67,66% se autodeclaram pretos ou pardos; A média de idade é de 40 anos; 83,3% são migrantes; Apenas 16,7% nasceram em Foz do Iguaçu; 17,2% vieram de outros países, principalmente Argentina e Venezuela; 76,63% afirmaram que desejam sair da situação de rua; Apenas 8,28% disseram não fazer uso de álcool, cigarro ou outras drogas. O levantamento também identificou os principais motivos que levaram as pessoas para as ruas. Os conflitos familiares aparecem em primeiro lugar, com 30,93% dos relatos. Em seguida estão o uso abusivo de álcool e drogas, com 23,19%, e o desemprego ou perda de renda, com 8,96%.

Outro dado que chamou atenção foi o impacto da pandemia. Segundo a pesquisa, 19,85% dos entrevistados disseram que passaram a viver nas ruas após a Covid-19.

A partir dos dados coletados, a Prefeitura anunciou novas medidas voltadas ao atendimento dessa população, principalmente para pessoas com transtornos mentais e dependência química. Entre as ações está a abertura de um edital para contratação de serviços de residência terapêutica.

O censo foi realizado em parceria entre a Prefeitura de Foz, Ministério Público, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, organizações sociais e voluntários.

Operação percorre regiões centrais e faz 40 abordagens

Enquanto o município apresenta os dados inéditos do censo da população em situação de rua, a Prefeitura também intensificou nesta semana as ações da Operação “Nossa Casa”, realizada de forma integrada pelas secretarias de Saúde, Assistência Social e Segurança Pública.

Na noite de terça-feira (19), as equipes percorreram pontos considerados estratégicos da cidade, como o Terminal de Transporte Urbano (TTU), Praça da Bíblia, Rodoviária Internacional e trechos das avenidas Jorge Schimmelpfeng, Paraná, Brasil e República Argentina.

Durante a ação, foram realizadas 40 abordagens a pessoas em situação de rua. Segundo o município, 14 delas recusaram encaminhamento para acolhimento em casa de passagem. Além da oferta de abrigo, as equipes disponibilizaram avaliação clínica, orientação social e auxílio para regularização de documentos.

De acordo com a Guarda Municipal, grande parte das pessoas atendidas enfrenta problemas relacionados à dependência química e necessita de acompanhamento especializado. Em casos de suspeita de porte de drogas ou objetos ilícitos, também são realizadas abordagens de segurança e encaminhamentos para a delegacia.

A operação conta ainda com participação do Consultório na Rua, equipe especializada em saúde pública voltada ao atendimento dessa população. A proposta é fortalecer o vínculo e ampliar a adesão aos serviços oferecidos pelo município.

Fonte: Portal da Cidade