Texto prevê imunidade jurídica e liberdade de operação para tropas dos EUA no Paraguai, tema tramita no Congresso.
Foto: Divulgação/Governo Do Paraguai
Um acordo de cooperação militar entre Paraguai e Estados Unidos está gerando discussões políticas e estratégicas na região da Tríplice Fronteira, que reúne Ciudad del Este, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. O documento foi assinado no final de 2025 e ainda precisa ser analisado e aprovado pelo Congresso paraguaio.
O texto prevê condições especiais para a presença de militares norte-americanos no território paraguaio. Entre os pontos previstos está a autorização para que tropas dos Estados Unidos levem equipamentos militares ao país sem necessidade de inspeção por parte das autoridades paraguaias.
Outro ponto que chama atenção é que os militares norte-americanos destacados para atuar no Paraguai não responderiam à Justiça local. Caso haja algum tipo de ocorrência, eles seriam julgados apenas pelas leis e tribunais dos Estados Unidos.
O acordo também prevê que as tropas possam utilizar um sistema próprio de telecomunicações durante as operações no país. Esse sistema funcionaria de forma independente das redes de comunicação paraguaias.
Além disso, o documento permite que militares dos Estados Unidos possam se deslocar livremente pelo território paraguaio durante o período da cooperação.
A discussão ganhou repercussão regional porque o Paraguai faz fronteira direta com o Brasil e a Argentina. A Tríplice Fronteira é considerada uma área estratégica da América do Sul por concentrar grande circulação de pessoas, comércio internacional e operações de fiscalização contra crimes transnacionais.
Nos últimos anos, relatórios de segurança dos Estados Unidos também citaram a região da Tríplice Fronteira como área de atenção em investigações relacionadas ao financiamento de organizações criminosas e grupos extremistas.
Por esse motivo, especialistas apontam que qualquer mudança na política de segurança do Paraguai pode ter impacto direto em toda a região de fronteira, incluindo cidades como Foz do Iguaçu.
O acordo ainda precisa passar por debate e votação no Congresso paraguaio antes de entrar em vigor. Enquanto isso, o tema continua sendo acompanhado por autoridades e analistas de segurança da região.
Fonte: Portal da Cidade