Líder supremo iraniano falou na TV estatal do país em meio a negociações com os EUA em Genebra nesta terça (17). Presidente dos EUA pressiona o Irã para fazer um acordo que limite o programa nuclear iraniano.
Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá acabar com a República Islâmica. Ele também ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está na próximo ao Irã.
A fala ocorreu em meio à retomada das negociações entre EUA e Irã, mediadas pelo Omã, para limitar o programa nuclear iraniano. Trump exige que Teerã acabe com seu programa e protagoniza uma escalada de tensões e militar contra o regime Khamenei. O líder norte-americano ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem.
Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que estaria envolvido “indiretamente” nas conversas em Genebra e que acredita que Teerã quer fechar um acordo, e voltou a ameaçar o Irã caso não haja acordo.
"Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One. “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo”, concluiu.
Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou à Reuters nesta terça-feira que a chave para o sucesso das negociações será "a seriedade dos EUA em suspender as sanções e evitar exigências fora da realidade". Ao mesmo tempo, a autoridade disse que o Irã chega para as conversas com propostas "genuínas e construtivas".
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse nesta segunda que fazer um acordo com o Irã "será difícil" e chamou os aiatolás iranianos, que governam o país, de radicais.
Negociação nuclear e tensão militar
Foto: Ebrahim Noroozi/AP
As negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.
A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a "inspeções" da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a "exigências excessivas" dos EUA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar "medidas muito duras" contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou na segunda-feira que faria novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, o que elevou as tensões com as tropas dos EUA que estão estacionadas na região.
fonte: g1