Setor reclama de prejuízos após retenção de veículos, categoria diz que não controla carga de passageiros e cobra solução urgente das autoridades.

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Taxistas e trabalhadores do transporte alternativo do Paraguai realizaram uma manifestação nesta segunda-feira em frente à sede do governo de Alto Paraná, em Ciudad del Este. O grupo cobra uma intervenção das autoridades locais após a apreensão de veículos durante fiscalizações na fronteira com o Brasil.

Segundo representantes da categoria, entre 15 e 20 veículos foram retidos nas últimas semanas. Os casos envolvem passageiros que transportavam mercadorias consideradas irregulares pelas autoridades brasileiras, o que acabou resultando na perda dos automóveis utilizados no transporte.

A mobilização ocorre em meio ao aumento da fiscalização na região da Ponte da Amizade, principal ligação entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. Os manifestantes afirmam que a situação tem gerado insegurança para quem trabalha no transporte de passageiros, já que, segundo eles, não há como controlar o conteúdo das bagagens.

O presidente do sindicato, Florencio Soto, disse que o setor vive um momento de incerteza. Ele afirma que muitos trabalhadores tiveram prejuízos diretos com a perda dos veículos, o que impacta a renda de famílias que dependem da atividade.

“Não somos responsáveis pelo que os passageiros carregam. Alguns colegas perderam seus carros sem saber o que estava sendo transportado”, afirmou.

O impasse já foi discutido em reuniões com autoridades paraguaias, incluindo parlamentares e representantes municipais. A categoria pede que o governo do Paraguai busque diálogo com o Brasil para tentar estabelecer regras mais claras e evitar novas apreensões.

Apesar do clima de tensão, os líderes do movimento afirmam que ainda tentam uma solução negociada. No entanto, não descartam a possibilidade de bloquear a Ponte da Amizade caso não haja resposta das autoridades nos próximos dias.

As apreensões estão relacionadas a um novo sistema de controle adotado pela Receita Federal do Brasil. O modelo busca identificar o chamado “contrabando de formiguinha”, prática comum na fronteira, em que pessoas atravessam repetidamente com pequenas quantidades de mercadorias.

Além do limite de compras permitido, de US$ 500 por pessoa, a fiscalização também passou a considerar a frequência das travessias e a repetição de produtos transportados, o que ampliou o alcance das inspeções e aumentou o número de retenções recentes.

Fonte: Portal da Cidade